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Espiritualidade|S. Teresa de Jesus

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2) A sua doutrina espiritual

O humanismo e o misticismo são as duas componentes básicas da sua doutrina espiritual, o díptico do seu magistério. Parte da simples antropologia teológica

que apresenta a vida humana como abertura e recepção da vida divina.

Segundo ela, toda a vida espiritual radica na possibilidade

de relações pessoais recíprocas entre Deus e o homem.

Deus é transcendência (“magnificência”, diz ela), mas é um Deus “tratável”.

E o homem, criatura e limitado, é, por sua vez, susceptível de elevação ao plano

da vida divina. Essa relação do homem com Deus desenrola-se como

“trato de amizade” entre ambos, com clara consciência humana de que o homem

é amado por Deus. E essa relação “homem-Deus” é determinante para

o desenvolvimento e plenitude humana, de morada em morada, já que o “castelo interior” (outro nome para o itinerário das “Moradas”) é do homem e de Deus.

O crescimento na relação com Ele é, por sua vez, determinante para a nova relação com os irmãos. Em Jesus, Deus feito homem, apresenta-se-nos mais patente

a condição “tratável” de Deus: “Cristo é um grande amigo”; “Que mais queremos

com um tão bom amigo ao nosso lado?” (V 22,7). Jesus é o modelo de relação do homem com os irmãos. De modo que ao chegar à maturidade das sétimas moradas,

o homem não só cresceu em si mesmo chegando ao mais profundo do próprio “castelo”, mas também se converte em servidor absoluto dos outros, como Jesus.

Teresa situa o crescimento teologal na relação com Deus na vertente interior do homem.

É no interior do “castelo” simbólico que se chega à plenitude da inabitação da Trindade e à união do homem com Cristo. Inversamente, o crescimento antropológico

e sociológico culmina na vertente exterior, no serviço aos irmãos.

 

"Santa Teresa, Doutora Mística, inspirada pelo Espírito Santo", Josefa de Óbidos

“O sinal mais certo que há,

para ver se guardamos estas duas coisas

[amor a Deus e amor aos irmãos], é guardar bem

a do amor ao próximo; porque, se amamos

a Deus não se pode saber, embora haja grandes indícios para entender que O amamos,

mas o amor do próximo, sim.” (M 5,3,8)